Quem percorrer as páginas deste novo livro de Luís Balkar Pinheiro vai se deparar com um texto maduro, de um pesquisador que vem se dedicando ao estudo dos intelectuais e da política amazonense entre o final do século XIX e o início do século XX. Como um historiador atento ao discurso dos vencidos, buscou as histórias dos dissidentes e daqueles que, por vezes, ficaram esquecidos pela historiografia tradicional. Se em obra anterior Balkar explorou a trajetória de Bento Aranha, importante intelectual mediador do Norte do país na transição do século XIX para o XX, nesta obra buscou compreender principalmente “as tensões e contradições presentes na implantação do regime republicano no Estado do Amazonas”. Numa escrita elegante, e por vezes poética, explorou o tema do adesismo à República nascente. “A defesa explicita da Monarquia – diz ele – desapareceu da noite para o dia, tal como pedras de sal lavadas pela chuva”. Demonstrou que o republicanismo local/nacional tinha suas contradições internas, partindo de modelos e matrizes diferenciadas que acabaram criando um cenário rico em disputas no momento da implantação do regime. Com o olhar voltado para a primeira década republicana no Amazonas, explorou as contradições que envolviam lideranças oligárquicas, intelectuais, jovens tenentes transformados em governadores e expressões do radicalismo republicano dissidente que lutavam por seus distintos projetos de poder