Os movimentos da história costumam a nos brindar com a restauração de alguns conceitos há muito esquecidos, como as marés que trazem às praias objetos de naufrágios perdidos. O conceito de empatia desponta hoje entre os assuntos mais citados e debatidos, não só nos círculos acadêmicos, mas igualmente no cotidiano externo às universidades. É o retorno de uma ideia cuja nascente remonta ao Romantismo, que atravessou por diferentes abordagens, aplicações e escolas de pensamento, até culminar no cenário atual, em que sua noção é recebida sob entendimentos bastante variados, alguns dos quais se confundem com outras faculdades mentais, chegando a distorcer o legítimo sentido de sua raiz conceitual. O entendimento profundo de um conceito não se contenta com jargões. O clichê “colocar-se no lugar do outro” concede um falso tom de unanimidade conceitual, camuflando o largo espectro de suas iniquidades. Afinal, qual é o verdadeiro sentido de “empatizar” com alguém? O que implica e o que não deve ser confundido com empatia? Quais são as repercussões de um processo empático? E quais são as condições necessárias para que ele ocorra? Impulsionado por estas questões, este livro foi confeccionado para elucidar o conjunto de parâmetros pelos quais este conceito é interpretado, e identificar, no espectro da empatia, quais aspectos devem ser considerados.